Menopausa é assunto de mulher, mas não só dela. Normalmente, quando essa fase chega, muitas mulheres estão no auge da carreira, ativas, produtivas e exercendo múltiplos papéis: são mães, profissionais, donas de casa, filhas zelosas, esposas…

Ou seja, o climatério não acontece no isolamento. Na verdade, ele vai muito além da individualidade feminina e impacta, inclusive, nos relacionamentos pessoais e profissionais.

Então, antes de continuar essa conversa, vamos deixar claro: a menopausa não é “coisa de mulher”. Por isso, a compreensão e o apoio da família, especialmente dos companheiros e filhos, são fundamentais nesse período de impactos coletivos.

Se você, marido, filho, colega de trabalho, amigo – seja lá qual for o seu papel – não está mais reconhecendo a mulher que sempre conheceu tão bem, junte-se a nós.

Menopausa: O que os homens devem saber (e fazer) na menopausa da parceira

O climatério é a fase que antecede a menopausa. Cerca de dez ou oito anos antes da menstruação cessar definitivamente, é comum que as mulheres apresentam sintomas físicos e emocionais.

As queixas principais são ondas de calor, insônia, irritabilidade, perda de libido, alterações de humor, ressecamento vagina, fadiga, estresse, ansiedade, dor de cabeça, entre outras dezenas que muitas vezes não são associadas às questões hormonais.

Quando esses sinais surgem, a mulher pode se sentir perdida, insegura e até envergonhada, como se estivesse perdendo o controle sobre o próprio corpo. Nesse cenário, a sensibilidade e a escuta ativa dos que estão ao seu redor fazem toda a diferença.

Menopausa: Dicas para ajudar uma mulher no climatério

O primeiro passo para um companheiro apoiar sua parceira é buscar informação.

Entender o que é o climatério, o que muda no corpo da mulher, quais sintomas podem surgir e como tudo isso afeta o dia a dia é um gesto de empatia e maturidade. A menopausa não é “frescura” nem “drama”, mas sim uma transformação fisiológica real, regida por alterações hormonais profundas.

Evitar julgamentos ou comentários inadequados é outro ponto essencial. Frases como “você está muito nervosa” ou “isso é coisa da sua cabeça” são desrespeitosas e não ajudam em nada.

Em vez disso, a escuta atenta, o acolhimento e a disposição para dividir responsabilidades do dia a dia são atitudes que ajudam a fortalecer o vínculo do casal.

Minimizar os sintomas ou achar que as queixas são exageradas são atitudes inapropriadas. Os sintomas são reais e validá-los demonstra acolhimento.

A mulher que sente que pode contar com seu parceiro para compartilhar dúvidas, angústias e até as inseguranças em relação ao próprio corpo passa por essa fase com mais serenidade e autoestima.

Além disso, os maridos podem estar presentes nas consultas médicas, se a parceira quiser. Participar dos cuidados com a saúde feminina é um sinal de cumplicidade.

Demonstre interesse pelos tratamentos indicados, ajude a fazer os ajustes no estilo de vida, melhore sua alimentação para acompanhá-la à mesa e façam atividades físicas em conjunto.

Se você quer sua mulher “de volta”, esse é o melhor modo de contribuir e fortalecer os laços entre vocês.

Menopausa e o papel dos filhos

Os filhos são parte importante do processo de entendimento e aceitação da menopausa.

Embora o diálogo sobre esse tema ainda seja um tabu em muitas famílias, é importante quebrar o silêncio – especialmente no caso de adolescentes e jovens adultos, que convivem diariamente com a mãe e podem não entender o que está acontecendo.

Abrir espaço para conversas francas sobre o climatério pode ser o caminho mais leve para evitar conflitos desnecessários.

Explicar, de forma adequada à idade, que a mãe está passando por uma mudança natural e que isso pode afetar seu humor, sua energia e suas emoções é educativo e formador.

Na verdade, mais do que isso, é um exercício de empatia. Quando os filhos compreendem que a irritação ou o cansaço não têm a ver com eles, mas com um processo fisiológico, a relação familiar se torna mais saudável e colaborativa.

Pequenos gestos de gentileza também contam: filhos que ajudam nas tarefas de casa, respeitam o tempo e o espaço da mãe e oferecem carinho e apoio demonstram que são parte ativa desse processo e que estão a postos para o que der e vier.

Não tenha receio de compartilhar suas vulnerabilidades com os filhos. Se eles entenderem o que está acontecendo com a mãe, terão mais oportunidades para ajudar e dar apoio.

Menopausa: como tornar essa fase mais leve para todos

A menopausa é uma etapa inevitável da vida da mulher e, como vimos, começa a apresentar sintomas muitos anos antes de se confirmar. Só que ela não precisa ser um período de sofrimento.

Pelo contrário, com acolhimento, cuidado e diálogo, essa pode ser uma fase de autoconhecimento, fortalecimento de vínculos e redescoberta de prioridades.

A melhor estratégia é reconhecer que o climatério chegou – e não há nada de errado nisso. Procurar um ginecologista, tirar dúvidas e entender as possibilidades de tratamento (hormonal ou não) são etapas fundamentais. Feito isso, compartilhe o “diagnóstico” com seu parceiro e filhos.

E qual é o papel dos homens, então? É estar presente. É participar, perguntar, respeitar, cuidar. Demonstrar que não é preciso entender tudo, mas que está ali para caminhar junto. É assim que se constrói uma rede de apoio sólida e amorosa.

Falar sobre menopausa é também falar sobre amor

Mais do que um tema de saúde, a menopausa é um convite à renovação das relações. É uma oportunidade para o casal se reinventar, conversar sobre mudanças, expectativas e novos modos de se relacionar.

Já falamos sobre isso várias vezes por aqui, mas não custa lembrar: o climatério é um momento em que a mulher se redescobre e o parceiro pode fazer parte dessa jornada.

Em um mundo em que as mulheres são, naturalmente, sobrecarregadas, a participação dos homens durante climatério é mais do que bem-vinda. Falar sobre menopausa em família é falar sobre respeito, cuidado, empatia e amor.

Se você está passando pelo climatério, busque orientação especializada. Cuidar da saúde e saber pedir ajuda torna o processo bem mais tranquilo.

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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