No climatério, o corpo começa a enviar sinais de que os hormônios vão encerrar sua jornada: o humor oscila, o sono acaba no meio da noite, a memória se perde, os calorões transformam qualquer inverno em verão tropical.

É natural que, com tantas mudanças, a mulher se sinta mergulhada em dúvidas. Uma delas é: qual o melhor tipo de hormônio a usar na reposição? Qual a via de administração mais segura: gel, implante, adesivo, comprimidos?

Se você também se sente perdida, eu vou te explicar melhor a diferença entre hormônios bioidênticos e sintéticos.

Hormônios bioidênticos vs. sintéticos

O que é, afinal, um hormônio bioidêntico? Para explicar a diferença entre hormônio bioidêntico e sintético, gosto de usar a metáfora da chave e da fechadura.

Pense que, ao longo da vida, seu corpo produziu os próprios hormônios. Esses hormônios têm uma assinatura química única, um desenho molecular específico. Agora que esses hormônios não são mais produzidos naturalmente, é preciso fazer a reposição.

O hormônio bioidêntico pode ser considerado a cópia fiel de uma chave. Embora seja produzido em laboratório, a estrutura molecular final do hormônio bioidêntico é igual àquela que seu organismo fabricava. Ou seja, funciona como a chave original.

Agora imagine uma chave mestra. Ela até consegue abrir a porta, mas não é a chave original. Esse é o hormônio sintético. Ele abre a porta, mas requer um esforço adicional. Ou seja, essa é a diferença entre os dois tipos de hormônio.

E qual é o mais indicado? Sem dúvida, na chamada medicina de precisão, a escolha é o hormônio bioidêntico. Quando o seu corpo recebe uma molécula que ele já conhece, o risco de efeitos colaterais diminui e a resposta do organismo é muito mais natural e fluida.

O caminho importa: como escolher a via de administração

Agora que já escolhemos a chave, vamos pensar no caminho que o hormônio percorrerá no seu corpo. Durante a reposição hormonal, a via de administração muda tudo, especialmente quando falamos em segurança.

  1. Via oral (o comprimido)
    É a forma mais tradicional, mas também a menos indicada. Quando você engole um comprimido, ele precisa passar pelo estômago e, obrigatoriamente, pelo fígado (o chamado efeito de primeira passagem).

No entanto, ao passar pelo fígado, o estrogênio oral pode estimular a produção de fatores de coagulação. É por isso que o uso de hormônio via oral está associado a um risco maior de trombose em algumas mulheres.

Além disso, no processo de metabolização, o fígado acaba desperdiçando uma parte do hormônio e sua efetividade pode ficar reduzida. Por esses motivos, a opção de estrogênio em gel é a mais recomendada e segura.

  1. Via transdérmica (gel ou adesivo): a queridinha da segurança
    Aqui está o “pulo do gato” da reposição moderna. Quando usamos o estrogênio através da pele (em gel ou adesivo), o hormônio vai direto para a corrente sanguínea, pulando a fase de passagem pelo fígado.

É como se fosse uma entrega VIP: o hormônio chega direto ao destino, sem escalas e sem causar estresse para o sistema metabólico. Nesse caso, o risco trombótico é quase nulo. Para as pacientes com varizes, pressão alta ou histórico familiar de problemas circulatórios, a via transdérmica é a primeira escolha.

  1. Implantes hormonais
    Os implantes são pequenos bastonetes colocados sob a pele. Eles liberam o hormônio de forma constante e gradual por meses. A grande vantagem é o conforto e a adesão ao tratamento.

Com o implante, você “esquece” que está em tratamento e, como não há falhas na aplicação, a estabilidade dos níveis hormonais é maior. Nas outras vias de administração, os níveis hormonais experimentam um “sobe e desce” sempre que a mulher esquece de passar o gel.

Assim como qualquer tratamento, os implantes também exigem indicação e avaliação médica para personalização rigorosa das doses.

O papel da progesterona: a protetora do útero

Até aqui, falamos da reposição de estrogênio, mas a progesterona também tem papel importante para a proteção do útero e do endométrio. A progesterona impede o espessamento do endométrio (a camada interna do útero).

Nesse caso, o hormônio bioidêntico também brilha. A progesterona micronizada (que é a versão bioidêntica) é muito mais amiga do seu sono e do seu humor do que as versões sintéticas usadas antigamente. Em geral, quem usa progesterona sintética também se queixa mais de inchaço e irritabilidade.

A escolha é sempre individual

Depois de falar tudo isso, você pode estar pensando: “Então, o gel bioidêntico é o melhor para todo mundo?”. A resposta é: quase sempre, mas depende.

A medicina de precisão não trabalha com receitas de bolo. O que é maravilhoso para uma mulher pode não ser o ideal para você.

Tem quem se adapta melhor ao adesivo, tem quem prefere o gel pela praticidade de ajustar a dose gota a gota, e tem ainda quem precisa de uma abordagem diferente por questões específicas de saúde.

O importante é que você conheça as opções mais seguras e escolha aquela que se adapta ao seu estilo de vida.

Aquele medo de que “hormônio causa trombose, é perigoso para o fígado ou aumenta as chances de câncer” cai por terra quando escolhemos a via correta, as doses fisiológicas e a substância mais natural possível.

A reposição hormonal moderna é um ato de autocuidado e de inteligência. Se você sente que seu corpo está pedindo mais equilíbrio, busque a orientação de especialistas.

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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