Tem uma hora na vida da mulher que tudo começa a mudar. A paciência não é a mesma,
o sono fica mais leve e interrompido, o cansaço persiste mesmo depois de um fim de semana de descanso, o peso aumenta sem que a dieta tenha mudado, a gordura se acumula no abdômen, a libido some junto com a memória, a pele fica ressecada e o humor oscila sem motivo aparente.

Você até cogita que seja o climatério, mas a menstruação continua regular. Então, qual será a causa de tanto desconforto?

Essa é uma dúvida muito comum porque, na verdade, as mulheres (e até alguns médicos, infelizmente) associam a menopausa a um acontecimento repentino, marcado apenas pelo fim da menstruação e pelos fogachos.

Na prática, não é assim que o organismo feminino funciona. Os sinais começam cerca de 8 ou 10 anos antes da menopausa propriamente dita (que é quando a mulher fica 12 meses ininterruptos sem menstruar).

Neste artigo, vamos entender juntas cada fase do climatério e como manejar os sintomas incômodos. Confira, a seguir, em qual momento você está, quais os sinais mais comuns em cada fase e como identificar as mudanças que o seu corpo está comunicando.

Climatério e menopausa: qual a diferença?

Essa é uma das confusões mais frequentes no consultório. Muitas mulheres dizem que “estão na menopausa” quando, na verdade, ainda estão iniciando a jornada pelo climatério.

Então, vamos esclarecer:

• Climatério é o período de transição da fase reprodutiva para a não-reprodutiva. Compreende todo o processo de declínio da função ovariana. É o termo mais abrangente e marca o período inicial das mudanças hormonais.
• Menopausa é apenas um marco nesse processo. Ela só se confirma 12 meses após a última menstruação, de forma retrospectiva.

Pense no climatério como uma longa jornada de transição, na menopausa como uma data importante (um grande marco nesse percurso) e na pós-menopausa como a nova fase da vida da mulher.

Quais são as fases do climatério?

O climatério acompanha a mulher durante anos e pode ser dividido em diferentes fases.
Linha do tempo do climatério
O corpo feminino segue um caminho previsível durante a fase de transição e declínio hormonal. Esse período pode ser dividido em quatro fases principais:

• Perimenopausa inicial
• Perimenopausa tardia
• Menopausa
• Pós-menopausa

É importante saber que a duração média dessa transição é de cerca de 8 anos, mas pode durar de alguns meses a mais de uma década.

Vamos entender cada uma dessas fases a fundo.

Fase 1 – Perimenopausa inicial: os primeiros sinais do climatério

Essa é a fase que pega muitas mulheres de surpresa. Ela começa, em geral, por volta dos 40 anos, mas pode dar as caras lá pelos 35 anos em alguns casos.

As oscilações hormonais começam, mesmo que os ciclos menstruais ainda estejam (ou pareçam) regulares. Pode ocorrer de o período entre uma menstruação e outra encurtar, além de o volume de sangue ficar mais intenso, o que aumenta a confusão.

Na perimenopausa inicial, os exames hormonais, como o FSH (hormônio folículo-estimulante), costumam ser normais. Isso ocorre porque o corpo tem mecanismos para compensar a diminuição da reserva ovariana.

Portanto, na fase inicial, o diagnóstico é clínico, baseado na idade e nos sintomas apresentados pela mulher.

Se você costuma se perguntar: “Meu ciclo continua regular, mas me sinto diferente. Isso pode ser climatério?” A resposta é: “Sim, pode.” Os primeiros sinais do climatério são sutis e costumam ser confundidos com estresse ou TPM.
Fique atenta a:

• Alterações do ciclo menstrual: ciclos ficam curtos (menos de 25 dias) ou longos (mais de 35 dias) e o volume menstrual pode mudar, tornando-se mais intenso ou mais leve.
• TPM intensa: você nota que os sintomas pré-menstruais se intensificam (ficam mais fortes, perceptíveis e incômodos).
• Irritabilidade e mudanças de humor: a mulher fica sensível e apresenta oscilações emocionais que antes não tinha.
• Insônia ocasional e cansaço: a dificuldade para pegar no sono, o despertar durante a madrugada e a sensação de que não descansa bem durante a noite começam a aparecer.
• Dificuldade de concentração: a concentração se perde e surge a “névoa mental”, que atrapalha o foco e a memória. Você esquece palavras simples no meio da frase.

E, atenção: na perimenopausa, a fertilidade diminui, mas a gravidez ainda é possível. Portanto, se você não deseja engravidar, mentenha métodos contraceptivos até que a menopausa se confirme.

Fase 2 – Perimenopausa tardia: o climatério em progressão

Nesta etapa, a transição ganha mais força.

A perimenopausa tardia começa quando a mulher fica 60 dias ou mais sem menstruar. Os mecanismos compensatórios do corpo já não funcionam tão bem e a falência ovariana se torna mais evidente. Nesse momento, o FSH está frequentemente elevado.

Os sintomas que antes eram leves se tornam mais intensos e podem impactar significativamente a rotina. Nessa fase, a queda da libido afeta cerca de 10% das mulheres.

Os principais sinais e sintomas da perimenopausa tardia incluem:

• Menstruação irregular: ciclos com intervalos superiores a 60 dias ou meses sem menstruar, que podem alternar com o retorno inesperado da menstruação.
• Ondas de calor e suores noturnos: os fogachos se manifestam de forma mais comum e intensa.
• Queda da libido: a diminuição do desejo sexual se torna prevalente e passa a ser percebida como um problema.
• Alterações emocionais: além das mudanças de humor, os sintomas de ansiedade e depressão entram na lista de queixas.
• Ganho de peso: muitas mulheres notam uma tendência a acumular gordura na região abdominal e, mesmo sem mudanças na dieta e na atividade física, engordam.
• Maior dificuldade para dormir: noites mal dormidas se tornam constantes, agravadas por episódios frequentes de suores noturnos.

Fase 3 – Menopausa: a confirmação

Chegamos, então, ao grande marco: a menopausa é o ponto exato em que você completa 12 meses consecutivos sem menstruar.

A idade média para a menopausa é 51 anos, mas o intervalo fica entre os 45 e 55 anos. Se a menopausa ocorrer antes dos 40 anos é sinal de insuficiência ovariana prematura; se ocorrer após os 55 anos, é considerada menopausa tardia.

Os sintomas da perimenopausa tardia, como fogachos e suores noturnos, geralmente persistem nessa fase e podem durar, em média, de 4 a 7 anos, sendo mais intensos nos primeiros anos após a última menstruação. Além disso, o ressecamento vaginal e as mudanças de humor se mantêm como queixas frequentes.

Estudos mostram que 80% das mulheres experimentarão pelo menos um desses sintomas antes e depois da última menstruação.

Fase 4 – Pós-menopausa: a fase que dura para sempre

Após a confirmação da menopausa, você entra na pós-menopausa, que durará o resto da sua vida.

Os sintomas vasomotores (ondas de calor e suores noturnos) e o ressecamento vaginal podem persistir por vários anos. Cerca de 25% das mulheres podem ter fogachos por até 10 anos ou mais após a confirmação da menopausa.

O que muda nessa fase é que boa parte dos sintomas começa a diminuir. No entanto, a ausência prolongada de estrogênio traz novos desafios que exigem atenção redobrada e cuidados específicos.

A queda hormonal aumenta o risco para algumas condições de saúde e requer cuidados.

• Saúde óssea e osteoporose: a perda de estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose.
• Saúde cardiovascular: na pós-menopausa há um aumento da incidência de doenças cardiovasculares e alterações no colesterol, com aumento do LDL (colesterol “ruim”).
• Massa muscular: a perda de massa muscular e mais acentuada nessa fase.
• Saúde íntima: a síndrome geniturinária da menopausa, com ressecamento e atrofia vaginal, pode impactar a vida sexual e aumentar o risco de infecções urinárias.

Quando devo iniciar o tratamento para o Climatério?

O tratamento deve começar cedo: quanto antes, melhor

Tratar os sintomas da menopausa e reequilibrar os níveis hormonais é essencial. Quanto mais cedo a mulher começa a repor os hormônios e a cuidar da saúde, melhor. Existem tratamentos eficazes para manejar os sintomas do climatério e a recomendação é iniciá-los já na perimenopausa inicial.

No entanto, não existe uma fórmula básica e comum a todas as mulheres. Como cada organismo reage de um jeito diferente às oscilações hormonais, o tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por um especialista.

Além disso, para identificar a fase em que você está, uma avaliação médica é fundamental. O diagnóstico é feito com base em múltiplos fatores: histórico menstrual, idade, sintomas, avaliação ginecológica e exame clínico completo.

Exames hormonais isolados nem sempre conseguem definir o climatério com precisão, já que os níveis de estrogênio e FSH podem flutuar bastante de um mês para outro, especialmente na perimenopausa inicial.

O que fazer na prática para tratar o climatério?

Não espere vários sintomas se manifestarem para começar a se cuidar. Se você se identificou com qualquer uma das fases do climatério, o próximo passo depois dessa leitura é agendar uma consulta com o seu ginecologista.

Cada mulher vivencia o climatério de forma única. Por isso, compreender seu momento atual permitirá construir um plano de cuidados adequado às suas necessidades, seja com ajustes no estilo de vida, reposição hormonal, suplementação etc.

O climatério é um processo natural e fisiológico, mais real do que parece. Quanto antes você compreendê-lo, mais fácil será essa transição.

Perguntas frequentes sobre as fases do climatério

Quais são as fases do climatério?

O climatério é dividido em quatro fases principais: perimenopausa inicial, perimenopausa tardia, menopausa e pós-menopausa. Esse processo marca a transição gradual da fase reprodutiva feminina para a não reprodutiva. Pode durar vários anos, com diferentes intensidades de sintomas em cada etapa.

Como saber se estou no climatério ou apenas passando por um período de estresse?

Alguns sintomas do climatério (irritabilidade, cansaço, alterações do sono e dificuldade de concentração) podem ser confundidos com estresse. A diferença é que, no climatério, esses sinais são associados a mudanças hormonais e podem vir acompanhados de alterações menstruais. Uma avaliação médica é fundamental para identificar a causa dos sintomas.

É possível estar no climatério mesmo menstruando normalmente?

Sim. Muitas mulheres começam a apresentar oscilações hormonais e sintomas do climatério anos antes da última menstruação. Continuar menstruando regularmente não exclui a possibilidade de estar na perimenopausa inicial.

Quanto tempo dura o climatério?

O climatério pode durar vários anos. Em média, a transição menopausal dura 8 anos, mas as mulheres podem vivenciar esse processo por períodos mais curtos ou mais longos, dependendo de fatores individuais.

Qual é a idade normal para entrar na menopausa?

A menopausa costuma acontecer entre os 45 e 55 anos, com idade média em torno dos 51 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos é chamada de menopausa precoce. Nesse caso, convém fazer uma investigação médica mais detalhada.

Os exames hormonais conseguem identificar exatamente a fase do climatério?

Nem sempre. Durante a transição menopausal, hormônios como estrogênio e FSH podem variar bastante ao longo do tempo. Por isso, exames hormonais isolados nem sempre definem com precisão a fase do climatério. O diagnóstico é feito considerando também a idade, o histórico menstrual e os sintomas apresentados.

Quando devo procurar ajuda médica para os sintomas do climatério?

O ideal é buscar orientação assim que as primeiras mudanças surgirem, principalmente se elas impactarem seu bem-estar e sua qualidade de vida. Não é necessário esperar a menopausa se confirmar para iniciar o acompanhamento. Quanto mais cedo você buscar informação e tratamento, maiores são as possibilidades de prevenir complicações de saúde no futuro.

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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