Durante o climatério é muito comum as mulheres ouvirem dicas, sugestões, conselhos, indicações e outra infinidade de sugestões. Todas elas com a promessa de acabar com sintomas e aliviar os desconfortos dessa fase.

É bem “normal” uma amiga indicar um composto que “mudou a vida dela” ou alguém usar as redes sociais para recomendar fórmulas “milagrosas”.

O queridinho da vez é o magnésio… e não é à toa: ele participa em mais 300 reações enzimáticas do nosso corpo e tem papel na função muscular e nervosa, na imunidade, na regulação do humor, na qualidade do sono e na saúde cardiovascular.

A questão é:
Será mesmo que toda mulher precisa suplementar o magnésio?
Será que todo tipo de magnésio funciona da mesma forma?

A resposta (para as duas perguntas) é não.

Embora o magnésio seja um mineral essencial para o organismo, a suplementação deve ser individualizada porque tanto a deficiência quanto o excesso podem trazer impactos para a saúde.

Além disso, existem diferentes tipos de magnésio, cada um com características e finalidades específicas. Neste artigo, vamos entender qual é a função do magnésio durante o climatério, quando a suplementação é indicada e quais são os principais tipos utilizados atualmente.

Qual é a função do magnésio no organismo?

O magnésio é fundamental para a saúde e está envolvido em centenas de reações químicas que nos mantêm dispostas, ativas e saudáveis.

Esse mineral ajuda na produção de energia, contração e relaxamento muscular, saúde dos ossos, regulação hormonal e funcionamento do sistema nervoso. Ou seja: ele trabalha silenciosamente. O problema é que, sem ele, muita coisa desanda.

Não por acaso, o magnésio ganha destaque no climatério e na menopausa. Boa parte dos sintomas (incluindo cansaço, irritabilidade, insônia e cãibras) podem estar ligados a níveis inadequados desse mineral.

Principais funções do magnésio

Como vimos, o magnésio é fundamental para a saúde da mulher porque:

• Auxilia no funcionamento muscular e previne cãibras e tensões;
• Participa da formação e manutenção da saúde óssea;
• Contribui para o equilíbrio do sistema nervoso e ajuda a reduzir a ansiedade;
• Apoia a qualidade do sono e favorece o relaxamento;
• Atua no metabolismo energético, combatendo a fadiga;
• Ajuda no controle da pressão arterial, o que protege o coração;
• Participa da síntese de proteínas e hormônios.

Quando os níveis de magnésio não estão adequados, sintomas como fadiga persistente, irritabilidade, fraqueza muscular, cãibras incômodas e dificuldade para dormir podem surgir ou se intensificar.

Toda mulher no climatério precisa suplementar magnésio?

Não! Essa é uma das maiores armadilhas da atualidade: achar que tudo que é “natural e fisiológico” é automaticamente seguro e indicado para você. Não é bem assim. A suplementação só faz sentido quando há uma real necessidade.

Muitas mulheres conseguem manter os níveis de magnésio apenas com uma alimentação equilibrada, rica em oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas), sementes (abóbora, girassol, chia, linhaça), vegetais verde-escuros (espinafre, couve, brócolis), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), cereais integrais (aveia, arroz integral, quinoa) e frutas, como banana e abacate.

Os casos de deficiência ou dificuldade de absorção do magnésio, especialmente em fases de mudanças hormonais – como o climatério, estão geralmente associados a alimentação restritiva, uso de certos medicamentos ou doenças gastrointestinais.

Por isso, antes de sair comprando potes e potes de magnésio pela internet ou na farmácia, o mais correto e seguro é fazer uma avaliação médica individualizada.

Já falamos aqui várias vezes e tenho certeza de que você já sabe: cada caso é um caso. Toda mulher no climatério precisa de uma orientação sob medida para o seu corpo e para a sua necessidade.

Sinais que indicam deficiência de magnésio

Se cada climatério é individual e cada paciente deve ser avaliada de forma personalizada, está claro que a suplementação não é para todo mundo. E antes mesmo de recorrer ao médico, alguns sinais podem indicar uma deficiência de magnésio.

Nesse caso, quando a mulher está atenta à sua saúde e às mudanças no organismo fica muito mais fácil identificar ou não a necessidade de suplementação.

Converse com seu médico se perceber:

• Cansaço frequente: sem magnésio suficiente, a produção de energia nas células fica comprometida. O resultado é uma exaustão que não passa nem depois de uma noite de sono.
• Cãibras e dores musculares: o magnésio é peça-chave para o relaxamento dos músculos. Quando os níveis não estão adequados, espasmos e desconfortos musculares se tornam mais comuns, especialmente à noite.
• Alterações no sono: muitas mulheres ficam com o sono mais leve, demoram mais para relaxar ou acordam no meio da madrugada. O magnésio tem relação direta com a qualidade do descanso.
• Irritabilidade e ansiedade: por participar do funcionamento do sistema nervoso, o magnésio influencia o humor. Níveis baixos desse mineral podem deixar a mulher mais sensível, impaciente, irritada ou apreensiva.
• Dor de cabeça frequente: em alguns casos, a deficiência de magnésio está associada a dores de cabeça recorrentes, como as enxaquecas.

É óbvio que esses sintomas não são exclusivos da falta de magnésio, mas são um indicativo. Por isso, a avaliação médica é essencial para investigar corretamente a raiz do problema.

Nem todo magnésio é igual: entenda as diferenças

Existem diferentes formas químicas de magnésio e isso influencia diretamente na absorção, na distribuição do mineral no organismo e nos efeitos clínicos esperados.

Isso quer dizer que não existe um único “melhor magnésio” para todas as pessoas. A escolha depende do objetivo do tratamento, das características da paciente e da orientação médica.

Principais tipos de magnésio e para que servem

Magnésio dimalato: costuma ser associado à produção de energia e ao funcionamento muscular. Por isso, a suplementação pode ser indicada em casos de fadiga, indisposição e dores musculares.

Magnésio glicina (bisglicinato): é uma forma geralmente bem absorvida e frequentemente relacionada ao relaxamento muscular e ao sono. Algumas mulheres utilizam esse tipo de magnésio para controlar a ansiedade, a tensão e melhorar a qualidade do descanso.

Magnésio treonato: essa formulação tem sido estudada por sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, sendo relacionada à saúde cerebral, memória e cognição.

Magnésio citrato: costuma apresentar boa absorção e pode ainda ter um efeito laxativo leve. Em alguns casos, é utilizado por pessoas com tendência à constipação intestinal.

Cloreto de magnésio: é uma das formas mais populares, mas isso não significa que seja adequada para todos os casos.

Magnésio taurato: associado à taurina, tem relação com a saúde cardiovascular e o equilíbrio da pressão arterial.

Magnésio quelato: ligado a aminoácidos, apresenta boa biodisponibilidade e costuma ser utilizado quando o objetivo é melhorar a absorção do mineral, especialmente em pessoas com sensibilidade gastrointestinal.

Óxido de magnésio: contém alta quantidade de magnésio elementar, mas sua absorção é considerada menor. É frequentemente utilizado para auxiliar no funcionamento intestinal e em casos de azia ou desconforto digestivo.

Magnésio lactato: geralmente bem tolerado pelo organismo e utilizado em estratégias de suplementação de longo prazo para correção ou prevenção da deficiência de magnésio.
Magnésio sulfato: conhecido popularmente como sal de Epsom, ele é mais utilizado em contextos médicos específicos e em banhos de imersão para relaxamento muscular, não sendo a forma mais comum para suplementação oral diária.

Magnésio orotato: associado ao ácido orótico, esse tipo de magnésio é estudado por seus possíveis benefícios para a saúde cardiovascular e para a produção de energia celular.

Magnésio marinho: fornece magnésio de forma natural e costuma ser encontrado em suplementos voltados à reposição geral do mineral.

Como vimos, a lista é grande, no entanto, mais importante do que conhecer todas os tipos de suplementos, é importante ter em mente: a escolha da melhor formulação depende das necessidades individuais, do objetivo da suplementação e da orientação de um profissional de saúde.

Existe risco em suplementar sem orientação?

Sim! Muita gente trata os suplementos como produtos inofensivos, mas seu uso inadequado pode ter efeitos indesejados e até interações medicamentosas.

O excesso de magnésio, por exemplo, pode causar diarreia, náuseas, queda de pressão, sonolência e fraqueza muscular. Além disso, pessoas com doenças renais precisam ter atenção redobrada, já que a eliminação do magnésio acontece principalmente pelos rins.

Outro ponto importante é que a automedicação pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes.

Suplementação não substitui hábitos saudáveis

A suplementação (mesmo quando bem indicada pelo seu médico) deve ser vista como parte de um cuidado mais amplo com a saúde.

No climatério e na menopausa, fatores como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle do estresse são fundamentais para o bem-estar e a qualidade de vida.

Cada organismo tem suas necessidades específicas e a escolha do suplemento ideal é variável. Antes de seguir recomendações da internet, indicações de amigas ou confiar em propagandas, vale lembrar: saúde não tem nada a ver com fórmulas milagrosas, mas com orientação profissional individualizada.

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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