A menopausa ocorre naturalmente para todas as mulheres que têm o privilégio de chegar aos 50 anos – às vezes um pouco antes, outras um pouco depois. É involuntária e intransferível.
Essas, no entanto, são as poucas certezas que temos. De resto, tudo é muito particular. Dos sintomas ao tratamento, o climatério (fase que começa alguns anos antes da confirmação da menopausa) é individual e diferente de mulher para mulher.
Afinal, você não é todo mundo e o climatério será, exclusivamente, SEU! É claro que os sintomas se assemelham, mas nunca serão idênticos.A explicação é óbvia: se somos únicas e individuais, teremos climatérios “personalizados”.
Primeiro porque a lista de sintomas é imensa e eles não acometem as mulheres da mesma forma. A idade é variável, as primeiras manifestações são diferentes, a intensidade dos sintomas muda e vários aspectos influenciam, para mais ou para menos, o que vamos sentir no climatério.
O que influencia nos sintomas?
O impacto dos efeitos do climatério tem a ver com a nossa saúde geral, ritmo biológico, entendimento sobre o tema, nível de informação e conhecimento, rede de apoio, jeito de encarar a vida e, inclusive, com a nossa coragem.
Isso mesmo: passar pelo climatério requer atitude, determinação e, como eu disse, coragem. Ainda hoje, muitas mulheres têm medo do diagnóstico porque, durante décadas, essa fase foi associada à velhice, à improdutividade, à incapacidade, à chegada ao último trecho da vida.
Não é raro que, no consultório, ao “descobrir” que estão no climatério, as pacientes me digam: “Poxa, mas já? Não vou comentar com ninguém, ninguém precisa saber que, de fato, estou velha”.
Esse é o primeiro erro. Tentar esconder o real motivo de tantas transformações físicas, mentais e emocionais. Você e todos que a cercam merecem saber o que realmente está acontecendo. Só assim vão entender as mudanças pelas quais você está passando.
Autoconhecimento e atitude: as melhores estratégias
Admitir que a nossa vida é afetada pela interrupção natural na produção de hormônios femininos e que esse processo é inevitável e impactante requer autoconhecimento e atitude.
Se parece difícil passar por essa fase com suporte médico e apoio dos familiares, imagine sem isso. Ter um olhar atento, generoso e acolhedor para si mesma é motivador para cuidar da saúde.
E vale a pena, eu garanto! Seu futuro e todos aqueles com convivem com você vão agradecer.
Quanto mais você falar a respeito, melhor!
O climatério é um processo fisiológico e se você chegou até aqui, parabéns. Celebre por estar viva e por ter a oportunidade de redesenhar sua estrada rumo às próximas décadas.
Eu defendo, inclusive, que a menopausa seja uma data a ser celebrada, assim como o aniversário, o nascimento de um filho, o casamento, o primeiro dia na faculdade… Afinal, é mais um marco!
No começo, parece assustador – e o conceito de assustador também é muito relativo. Você se sente em uma montanha-russa, cheia de altos e baixos, com dúvidas se, de fato, essa fase estranha vai passar.
Mas, assim como a montanha-russa do parque de diversões transforma o turbilhão de emoções em uma sensação de alívio quando o carrinho para, as mulheres que transformam o climatério em uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida também são recompensadas.
Pare agora mesmo com as desculpas!
Se a falta de tempo era a sua desculpa favorita para negligenciar a saúde, pare! O climatério é o alerta que precisamos para repensar escolhas, buscar ajuda especializada e fazer a coisa certa: cuidar da saúde e envelhecer feliz.
O primeiro passo é buscar informação de qualidade, falar a respeito, admitir suas fragilidades e, de novo, agir em benefício próprio, recorrendo a quem entende do tema e mostrando à família, amigos e colegas de trabalho que você não ficou apenas uma “senhora” que só reclama da vida.
Mudar para melhor é possível e existem exemplos, aos montes, se você olhar por cima desse muro!
Não projete toda a culpa nos hormônios
Ainda que tenha um CID (Classificação Internacional de Doenças) atribuído a ela, a menopausa não é uma doença, mas pode desencadear uma série de problemas no futuro se os sintomas não forem adequadamente tratados.
Desencadeada pela deficiência hormonal, a menopausa (e todo o período pré e pós menopausal) pode ser mais severa ou menos de acordo com seu estilo de vida. Por isso a avaliação médica individualizada é tão importante.
Conversar abertamente com o ginecologista é o primeiro passo. Falar sobre os sintomas, preocupações e expectativas para o futuro é essencial. As consultas regulares ajudam a identificar e tratar os sintomas, mas a reposição dos hormônios não faz milagres.
Mesmo com a ajuda da medicina é você quem conduz esse processo, porque na vida adulta ninguém mais nos pega pela mão e leva até a academia. Não há quem faça o nosso prato distribuindo a quantidade ideal de saladas, proteínas e vitaminas. Não há mais quem cante canções de ninar para embalar o sono.
Aproprie-se do que é seu, de fato!
Por mais que sua rede de apoio ofereça o suporte necessário, o climatério é, de fato, individualizado. Ele é seu e você precisa se apropriar dele, sem subterfúgios. O processo não precisa ser solitário, mas nada vai trazer de volta a sua saúde e a qualidade de vida se você não tomar as rédeas e fizer as escolhas certas.
Deixe a vergonha, o constrangimento ou o tabu de lado. Vamos conversar mais e sofrer menos. Estou ao seu lado para ajudar no que for preciso.
Por: Dra Natacha Machado
Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005


