Quase tudo o que se ouve sobre a menopausa é negativo. Associado a ela estão os calorões, os suores noturnos, a insônia, as mudanças de humor, a irritabilidade, a flacidez da pele e dezenas de outros “problemas”.

Tudo isso já é conhecido pela maioria das mulheres a partir dos 40 anos e costuma receber atenção total.  No entanto, eles são apenas uma parte da “história”. Por trás desses sintomas evidentes, existem outras dores físicas e emocionais que nem sempre são reconhecidas.

O fato é que a menopausa é uma experiência multifacetada, que transpassa corpo e mente. São mudanças invisíveis aos olhos de quem convive conosco, mas que sugam nossa energia e bem-estar. Muitas delas alteram, inclusive, a forma como a mulher se percebe.

A verdade é que a menopausa pode, sim, doer, e essa dor tem muitos contornos. Reconhecer e nomear cada uma das nossas dores é o primeiro e talvez o mais corajoso passo para transformar essa fase em uma jornada de autoconhecimento e cuidado.

A partir desse entendimento, é possível buscar ajuda, encontrar caminhos de alívio e viver essa transição com mais consciência e menos sofrimento. Neste artigo, vamos explorar quais são essas dores e como lidar com cada uma delas com informação, consciência e autocuidado.

Dores físicas: quando o corpo sinaliza a transição menopausal

A queda do estrogênio, principal responsável pelas mudanças vividas no climatério, afeta diversos sistemas do organismo. Por ter receptores em vários tecidos, o estrogênio influencia em vários aspectos e faz com que as mudanças na vida e na saúde da mulher surjam de formas bem distintas.

Dores articulares e musculares

Essa é uma das queixas mais comuns. Sem a ação anti-inflamatória natural do estrogênio é comum sentir rigidez ao acordar, desconforto nas mãos, joelhos, quadris e costas. Muitas mulheres relatam dores difusas, que parecem “percorrer” o corpo ao longo do dia.

Dor na relação sexual (dispareunia)

A baixa hormonal também altera a mucosa vaginal: ela fica mais fina, seca e menos elástica. Isso torna a penetração dolorosa e pode afetar diretamente o prazer e a vida sexual. É uma dor real e muito comum que merece atenção e tratamento.

Dores de cabeça e enxaqueca

As flutuações hormonais e a redução do estrogênio são gatilhos conhecidos para o aumento da frequência ou da intensidade das dores de cabeça, especialmente em mulheres que já têm predisposição a enxaquecas.

Formigamentos e pequenas “pontadas”

Mudanças hormonais influenciam o sistema nervoso. Por isso, algumas mulheres relatam sensação de formigamento nas mãos e pés (parestesia) ou pequenas “agulhadas” pelo corpo.

Fogachos que exaurem

Embora não sejam “dor” no sentido clássico, os fogachos provocam uma sensação tão intensa de calor, seguida de mal-estar, que muitas mulheres descrevem esse momento como fisicamente doloroso.

Dores emocionais: elas não são visíveis, mas pesam

As dores emocionais da menopausa também fazem parte dessa fase e, muitas vezes, são as mais difíceis de verbalizar. Elas não surgem apenas das mudanças hormonais, mas também do significado simbólico desse momento na vida de cada mulher.

Tristeza e sensação de perda

A menopausa representa o fim do período reprodutivo e isso traz um sentimento de luto pela fase que termina, pela identidade que muda, pelas expectativas que talvez não se realizem. Não é exagero, é um sentimento humano.

Apatia e desânimo

A queda de estrogênio e de progesterona afeta neurotransmissores ligados ao humor e à motivação. O resultado pode ser o desinteresse natural por atividades que antes eram estimulantes. Além disso, a conhecida “névoa mental” tem impacto na capacidade de foco e na memória.

Irritabilidade e estresse

Com o sistema nervoso mais sensível, os pequenos aborrecimentos do dia a dia parecem maiores. A tolerância ao estresse diminui e a irritabilidade aumenta.

Solidão e incompreensão

A menopausa ainda é um assunto pouco discutido socialmente. Muitas mulheres sentem que ninguém entende o que elas estão passando e isso aprofunda a sensação de isolamento.

Ansiedade e depressão

Essa fase é um momento de vulnerabilidade emocional. A combinação de sintomas físicos, alterações hormonais e mudanças na rotina pode desencadear ansiedade, ataques de pânico ou quadros depressivos. É fundamental levar esses sinais a sério.

Como superar as dores: da consciência ao cuidado

Reconhecer o que está acontecendo é o primeiro passo. Não espere que outras pessoas percebam por você. Nomear as dores físicas e emocionais ajuda a dar clareza e direciona para o cuidado correto.

Depois do reconhecimento vem o passo fundamental: pedir ajuda. Falar sobre o que você está sentindo, sem medo de julgamento, é um movimento de autocuidado. A menopausa não precisa e não deve ser enfrentada sozinha.

Se você seguir essas dicas vai perceber que é mais fácil manejar “as dores” da menopausa.

1. Procure ajuda especializada: hormônios são saúde, não capricho

A reposição hormonal, quando bem indicada e personalizada, trata a causa central da maioria dos sintomas: a deficiência hormonal. Repor os hormônios não é um luxo. Esse recurso é bastante eficaz para melhorar o bem-estar físico, emocional e cognitivo. Converse com seu médico sobre as opções mais adequadas para o seu caso.

2. Cuidados práticos para aliviar as dores

Para aliviar as diversas dores que surgem no climatério, alguns cuidados práticos fazem diferença. No caso das dores articulares e musculares, atividades físicas regulares como pilates, musculação, caminhada ou natação são grandes aliadas. O ajuste hormonal, quando indicado por um profissional, e uma alimentação de perfil anti-inflamatório também são estratégias importantes.

Já para a dor durante a relação sexual, a terapia hormonal (sistêmica ou local), o uso de hidratantes e lubrificantes vaginais e, em alguns casos, tratamentos complementares como o laser íntimo oferecem alívio significativo.

A saúde emocional também merece atenção: psicoterapia, técnicas de manejo do estresse – como respiração, mindfulness e meditação guiada – e uma rotina que inclua descanso e atividades prazerosas equilibram o humor e fortalecem o bem-estar.

Para enfrentar a névoa mental e a irritabilidade, investir em sono regular e de qualidade, evitar sobrecargas na rotina e praticar exercícios aeróbicos são formas de melhorar a cognição, o foco e o estado emocional.

3. Estilo de vida como base do bem-estar

O estilo de vida exerce um papel fundamental no bem-estar durante o climatério. Pequenas mudanças, quando mantidas com regularidade, podem transformar profundamente a forma como a mulher atravessa e supera as dores dessa fase.

A alimentação é um dos pilares: priorizar fontes de ômega-3, como peixes e sementes, além de fibras, legumes e vegetais escuros, ajuda a reduzir inflamações, estabilizar o humor e regular o funcionamento intestinal. Ao mesmo tempo, é importante diminuir o consumo de ultraprocessados e carboidratos para evitar picos de insulina, ganho de peso e piora dos fogachos.

Movimentar-se diariamente também é indispensável. Faça de 20 a 30 minutos de atividade física todos os dias para melhorar a disposição, fortalecer os músculos e articulações e ajudar no equilíbrio hormonal.

Por fim, é fundamental reduzir o consumo de álcool e parar com o cigarro, já que ambos intensificam as ondas de calor, prejudicam a qualidade do sono e amplificam as oscilações de humor. Essas escolhas são simples, mas essenciais para construir uma base sólida na travessia do climatério.

Cuidar de si é o mais importante

Sim, a menopausa pode doer no corpo e nas emoções, mas essa dor pode ser manejada. Com informação, acompanhamento médico adequado e autocuidado é possível transformar essa fase em um período mais leve e menos doloroso.

Olhar para as próprias dores não é sinal de fragilidade. É sinal de autocuidado E essa é a nossa maior fortaleza. Cuide-se!

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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