Sem libido na menopausa? A culpa não é só dos hormônios: entenda como funciona o desejo feminino no climatério

Se você está no climatério e percebeu que o desejo sexual diminuiu ou, na pior das hipóteses, desapareceu, saiba que essa é uma queixa bem comum aqui no consultório. Ainda que esse não seja um sintoma raro depois dos 40 anos, a causa quase nunca é “só” hormonal.

À medida que a menopausa se aproxima, o corpo realmente passa por mudanças relevantes. Não há dúvidas de que a baixa hormonal causa um conjunto de efeitos no organismo feminino, mas, no caso da libido, esse nem sempre é o principal problema.

O desejo feminino não depende apenas dos hormônios. Ele é influenciado por fatores mais complexos, como o nível de estresse, a qualidade do sono, a conexão emocional e até a forma como você encara a rotina.

Na prática, isso significa que a libido não “some” de repente. Ela vai sendo impactada por questões que passam despercebidas no dia a dia. Por isso, antes de concluir que o problema é só hormonal, vale ampliar o olhar.

O desejo feminino começa no cérebro

Diferentemente do que muita gente pensa, o principal órgão sexual da mulher é o cérebro. Isso porque o desejo, a excitação e o prazer sexual feminino são fortemente influenciados pelas emoções, memórias e estímulos sensoriais.

Áreas cerebrais ligadas à recompensa, como o sistema dopaminérgico, e à regulação emocional têm papel central nisso.

Portanto, antes de continuarmos essa conversa, vamos ter em mente que a resposta sexual das mulheres depende da integração entre cérebro e corpo: sistema nervoso, hormônios, circulação sanguínea e órgãos genitais.

Ou seja, o desejo feminino é mais responsivo, enquanto o dos homens costuma ser direto e espontâneo. Isso significa que, para o corpo da mulher responder, o cérebro precisa, em primeiro lugar, entender que está tudo bem: que existe segurança, relaxamento e conexão.

Se você está estressada, cansada ou emocionalmente sobrecarregada, o organismo entra em estado de alerta. E quando isso acontece, o corpo prioriza sobrevivência, não prazer.

Qual é o papel do relaxamento e da segurança emocional na libido feminina?

A resposta é simples e direta: sem relaxamento, o corpo da mulher simplesmente não ativa o desejo sexual. A excitação feminina depende de um estado mental calmo e relaxado, mas isso depende de uma sensação de segurança.

Quando você se sente bem, acolhida e conectada, o cérebro libera substâncias que favorecem o prazer. Se há tensão ou desconforto emocional, esse processo é bloqueado.

Por isso, em muitos casos, a ausência de desejo não está na falta de estímulo, mas na falta de ambiente interno ajustado para que o desejo aconteça.

A grande vilã: a sobrecarga mental

Os hormônios influenciam no desejo sexual, mas a sobrecarga mental pesa – e muito. Como sabemos, a rotina da mulher costuma ser intensa: trabalho, casa, filhos, preocupações constantes.

No climatério, essa carga se intensifica. É nessa fase que os filhos saem de casa para estudar ou casar, o ninho fica vazio, o silêncio passa a ser perturbador, o casamento pode balançar, a vida profissional nem sempre é estável e, na outra ponta, os pais estão mais velhos, adoecem e passam a exigir atenção dessa mulher que já vive cansada e sobrecarregada.

O resultado é um estado permanente de estresse e um cérebro cansado que não acessa o desejo sexual com facilidade. O estresse aumenta o cortisol, um hormônio que interfere diretamente no equilíbrio do organismo e reduz a disponibilidade para o prazer.

Na prática, a falta de libido não tem a ver, exclusivamente, com os hormônios, o parceiro ou o relacionamento, mas com a falta de energia física e emocional.

Por isso, eu sempre digo às minhas pacientes: o desejo não começa na cama e é erro comum achar que a sexualidade se resume ao ato sexual.

Papel do parceiro na libido feminina

Para a mulher, o desejo é construído ao longo do dia. A forma como você é tratada e como se sente em relação ao parceiro fazem toda a diferença. Afinal, o desejo só aflora quando se tem uma rede de apoio e um relacionamento trabalhado para manter a paixão acesa.
Nessa lista de estratégias entram pequenos mimos ou gestos de carinho do parceiro. Pode ser uma mensagem apaixonada enviada por whatsapp no meio da tarde, um elogio sincero, um toque ou um beijo sem expectativas, além de tempo de qualidade, atenção plena e presença.

Tudo isso ajuda o cérebro a sair do “modo alerta” e entrar no “modo conexão”.
E quando há conexão o corpo responde mais fácil e rapidamente.

O que a sua libido revela sobre o seu corpo?

A forma como o desejo aparece ao longo do dia traz pistas importantes sobre o seu estado físico e emocional.

Libido pela manhã

Sentir mais desejo ao acordar pode estar relacionado a um bom equilíbrio hormonal. Pela manhã, há um pico natural de energia, inclusive de testosterona. A libido matinal indica que o organismo está funcionando de forma ajustada.

Libido à noite

Para muitas mulheres, o desejo só aparece à noite, e isso tem tudo a ver com o relaxamento. Depois de um dia intenso, o corpo precisa desacelerar. Quando a mulher encontra formas de fazer isso, deixando os problemas para trás, a mente fica disponível para a conexão.

Mas lembre-se: mais do que o horário, o que importa é o estado emocional.

Como melhorar o desejo sexual durante o climatério?

Já sabemos que a libido não depende só dos hormônios, por isso, além da reposição hormonal, existe um combo do qual você não pode abrir mão durante o climatério.

• Sono de qualidade: dormir bem é essencial para regular hormônios, energia e humor.
• Gestão do estresse: momentos de pausa, lazer e descanso ajudam a reduzir o excesso de cortisol.
• Atividade física: movimentar o corpo melhora a circulação, a disposição e a autoestima, fatores diretamente ligados ao desejo.
• Relação afetiva e comunicação: conversar sobre sentimentos, expectativas e necessidades fortalece a conexão entre o casal.
• Acompanhamento médico: além do suporte hormonal, mantenha seus checkups e exames de rotina em dia.

Como a autocobrança interfere na libido

Esse talvez seja o ponto mais importante da nossa conversa. O desejo não aparece sob pressão. Quando o sexo vira uma obrigação, o efeito costuma ser contrário. A cobrança aumenta o estresse e o estresse bloqueia o desejo.

Para a mulher, o relaxamento não é apenas desejável, ele é essencial. Como já vimos, o corpo feminino está profundamente conectado à mente, às emoções e às relações.

Por isso, se a sua libido diminuiu, em vez de se cobrar, que tal avaliar o contexto? Como anda a sua rotina, qual o seu nível de estresse, como está sua relação consigo mesma e com o outro?

O desejo sexual não é uma obrigação. Ele é uma resposta. Quando você cuida do seu bem-estar, cria o ambiente necessário para que o desejo se mantenha. Pense nisso e cuide com mais atenção da sua saúde mental se você quer recuperar a libido.

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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