Síndrome da mulher guerreira: deixe a armadura de lado e cuide da saúde

Alguém, um dia, em algum lugar, falou que “mulher não pode ficar doente” porque, ainda que esteja mal, tem responsabilidades e obrigações a cumprir. A rotina da casa, o cuidado com os filhos, o trabalho… nada pode esperar. E nós acreditamos. Por vezes, nos orgulhamos dessa “força”.

E foi assim, aceitando passivamente essa utopia heroica, que fizemos uma sociedade inteira acreditar no mito da mulher guerreira, inabalável. Pior ainda: entramos na “brincadeira” e completamos a teoria: “Os homens é que são fracos e se deixam abater por um simples resfriado.”

Resguardadas as diferenças entre homens e mulheres, o fato é que acreditamos no que não devíamos. Nós aguentamos porque estamos convencidas de que é nosso dever dar conta de tudo. Abraçamos o mundo e deixamos de nos cuidar para cuidar dos outros.

Mas vamos combinar uma coisa? Está na hora de colocar as cartas na mesa e parar de achar que “mulher guerreira” é qualidade. Guerreiras são as personagens de cinema ou das histórias em quadrinho, nós somos reais e devemos dar mais atenção aos nossos sentimentos, à nossa saúde, nossas fragilidades e, afinal, assumir o nosso cansaço.

Quem vem comigo na “luta” contra a síndrome da mulher guerreira?

Crenças limitantes

Resumidamente, crenças limitantes são ideias ou pensamentos que nos impedem de evoluir em um ou mais aspectos da vida. Coisas que acreditamos serem certas ou reais – mas que precisam ser revistas. Para algumas mulheres, assumir o papel de heroína e carregar o mundo nas costas pode se tornar, facilmente, uma crença limitante – e fazer muito mal à saúde.

Ao deixar de estabelecer limites e de buscar suporte para problemas pessoais, as mulheres caem na cilada de acreditar que a vida é assim mesmo, afinal, nossas avós, mães, tias, amigas, colegas de trabalho, vizinhas, todas sempre exerceram esse papel e não nos cabe questionar.

Cólica menstrual e infarto: o que eles têm em comum?

Nós estamos tão acostumadas com as dores de ser mulher que não trazemos à razão alguns absurdos. Sorte a nossa que a ciência está aí para provar o quanto vivemos no “piloto automático”.

Você já ouviu falar do estudo que compara a cólica menstrual à dor de um infarto? Isso mesmo, a cólica pode ser tão dolorosa e incapacitante quanto a dor relatada por quem já sofreu um infarto.

Quem cogita trabalhar com uma dor dessa intensidade? Nós, mulheres, oras. Muitas de nós, todos os meses, se contorcem com cólicas menstruais enquanto executam suas atividades diárias.

• Isso acontece quando não cogitamos deixar de lado as nossas “obrigações”.
• Isso acontece porque acreditamos que cólica menstrual é coisa “normal” de mulheres e não buscamos tratamento.
• Isso acontece porque somos “mulheres guerreiras” e nos “orgulhamos” disso.

Climatério ignorado

Muitas mulheres passam a vida fazendo suas atividades rotineiras independentemente do nível de dor (ou do cansaço ou da tristeza ou do estresse) que estejam sentindo.

E assim levam a vida até a chegada da menopausa. Por achar que gerações e gerações de mulheres sobreviveram aos sintomas do climatério sem reclamar, acreditamos que nós também temos de encarar essa fase sem admitir nossa fragilidade.

Mas será que esse período natural e fisiológico da vida das mulheres não tem mesmo tratamento e precisa ser vivido em silêncio?

Naturalizar não é o mesmo que aceitar o sofrimento. A chegada da menopausa é um processo natural, mas não há qualquer motivo para vivermos por décadas com calorões, falta de libido, ressecamento vaginal, insônia, depressão, problemas de memória e concentração e outras dezenas de sinais típicos de quando a produção hormonal entra em declínio.

O climatério começa, em média, oito anos antes da confirmação da menopausa. A menopausa ocorre, em média, por volta dos 50 anos. Ou seja, as mudanças físicas e emocionais no organismo das mulheres começam, normalmente, a partir dos 40 anos – auge da produtividade, dos planos, das realizações.

Você está mesmo disposta a viver décadas sem qualidade de vida, com a saúde debilitada e sofrendo só para provar que é uma mulher guerreira e imbatível?

Lute por você!

Só quem está bem é capaz de cuidar bem dos outros. Por isso, você deve ser sua prioridade. Reconheça que precisa de ajuda, admita que está cansada, saiba identificar os sintomas do climatério e faça mudanças no seu estilo de vida.

Os incômodos causados pela chegada da menopausa podem ser resolvidos com orientação especializada. Aceite esse suporte e mostre que sua guerreira interior tem a força necessária para mudar o jogo!

O primeiro passo é tomar atitude. Analise seus hábitos, seu estilo de vida e sua alimentação. Escolha ser mais saudável não apenas mudando a dieta e fazendo atividade física diária, mas cuidando da sua mente, dos seus relacionamentos e tratando cada sintoma incômodo que possa prejudicar seu bem-estar e sua saúde.

A reposição hormonal é um recurso importante para combater os sintomas da menopausa. Converse com um médico especializado no assunto.

Acredite, o climatério não precisa ser mais um fardo.

Se chegou a sua hora de tirar a armadura e baixar a guarda em prol do seu futuro, conte comigo.

Por: Dra Natacha Machado 

Ginecologista – CRM/SC 20516 | RQE 11831 | TEGO 0685/2005

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